Posts Tagged “Takeshi Kitano”

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Depois da trilogia auto-destrutiva, Kitano lança-se num novo filme yakuza. Desta feita, parece-me ser muito mais tradicional (e anti-kitanesco). Com tantas personagens a aparecerem num trailer tão pequeno, fez-me lembrar o casting interminável dos Yakuza Papers. Estreia dia 12 de Junho!

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Joe Hisaishi ou a música na extremidade do puro indizível.

Virtuoso pianista e grandioso compositor, Hisaishi não só se afirmou como um tremendo compositor a solo, como é um mestre nas partituras para filmes. Eleito por dois grandes mestres de cinema (Hayao Miyazaki e Takeshi Kitano - este último, infelizmente deixando-o desde Dolls de 2002), a sua música pode ir do tom épico (encontra-se nos mais fulgurantes trabalhos de Miyazaki como Princess Mononoke ou Nausicaa) às tonalidades mais silenciosas na sua tristeza e contemplação (os trabalhos para Kitano: Scene at the Sea, Sonatine, Hana-bi etc.).

A sonoridade única de Joe Hisaishi traduz-se toda pela descoberta de silêncios musicados na recondução de estados mais ou menos de natureza anuladora do mundo das palavras. Sem desvios, o piano ou a orquestra fazem-nos caminhar nos domínios do não-dito. Território perigoso, irreal, puro cristalizador de beleza.
Sem dúvida, e sem hiperbolismos, um dos mais talentosos compositores.

One Summer’s Day: A música de A Viagem de Chihiro (Spirited Away) delicadamente de brisa, leve e sem contornos.

(ou a épica música de Nausicaa: http://www.youtube.com/watch?v=d8O3X2qwWzI)

Hana-bi: A cinza melodia do filme de Kitano, repleta de uma tristeza arrepiante, os tons que vão e voltam, retomam com uma força incandescente para serem derrubados outra vez pelas teclas do piano tristemente furioso. Como a descontinuidade das ondas da cena final do filme, a desaparecerem no plano que se move para fora do nosso olhar. Uma das suas melhores partituras.

(ou, Summer d’O Verão de Kikujiro: http://www.youtube.com/watch?v=qEb4TG10jW8. O Verão e o seu calor amarelo nas notas de Hisaishi)

View of Silence: Uma composição longa. Elegíaca, com seus momentos de força a romper o piano silencioso na sua sonoridade esquelética. Pura emoção para revelar um dos grandes compositores da nossa era.

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Se bem que ainda faltam ver alguns filmes que são capazes de mudar esta escolha provisória (como por exemplo United Red Army do Wakamatsu ou Love Exposure do Sono) os três seguintes filmes são essenciais para qualquer amante de cinema japonês (e não só).

.All Around Us - realizado por Ryosuke Hashigushi

Hashigushi liberta-se um pouco da austera formalidade dos seus anteriores filmes (planos sequência muito longos, etc.) para filmar as desavenças e os encontros afectivos de um casal ao longo dos anos. Retrato íntimo, e tão humano do Japão dos anos 90.

.Even if you walk and walk - realizado por Hirokazu Koreeda

Koreeda continua o seu legado: filmar a fugacidade da vida manifestada em ausências. Esta é mesma experiência de um filme de Ozu: não queremos dizer adeus ao filme, mas ele acaba, como um corte, uma ausência triste e perturbadora.

.Achilles and the tortoise - realizado por Takeshi Kitano

Como não poderia deixar de ser, o último filme de Takeshi Kitano - fechamento da sua trilogia ultra-pessoal, começada com o magnânimo Takeshis’ - tinha de estar presente na lista. Kitano, a tentar reconstruir-se ante as cinzas dos seus outros dois filmes, experimentando, misturando, encarando arte como experiência. Não deixa de ser pessimista - ainda que com um toque de génio: a vida supera a arte - representando-se a si mesmo como um artista categoricamente falhado, do nascimento à morte, sem esperança.

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Nas minhas visitas sem objectivo pelo You Tube, encontrei este vídeo de um dos realizadores que mais aprecio e que deixo aqui para verem. Poderá não ser o melhor a fazer sapateado, mas no que diz respeito a dar “show” ele continua a ser dos melhores.

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