Arquivo para a categoria “música”


A melancólica e inigualável Maki Asakawa foi encontrada sem vida no quarto de hotel onde descansava para o seu próximo concerto. Tinha 67 anos.

Que descanse em paz!

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Deixo aqui alguns vídeos de como se faz música com relâmpagos. Aposto que Tesla nunca pensou nisso:

como é feito:

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Sim, porque esta animação de Kousuke Sugimoto não pode ser totalmente apreendida numa só passagem. A música é de Takayuki Manabe.

Podem ver mais trabalhos de Kousuke Sugimoto no seu site

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J.A Seazer

J.A Seazer (Julious Arnest Cesar) é o pseudónimo de um exímio compositor de seu nome Takahaki Terahara (1948-…). Os seus sons ecléticos e extasiantes serviram de ilustração musical de Tenjo Sajiki, companhia teatral radical, imaginária e furiosa do dramaturgo e cineasta Shuji Terayama. As suas composições são um misto bizarro entre sonoridades mais tradicionais (quase primitivas) e vanguardas de rock (o chamado Acid Rock). Muito apreciado pela juventude revolucionária japonesa dos anos 60 e 70, J.A Seazer musica o delírio, um êxtase angustiado pela nostalgia, escatologias artísticas. No fundo, J.A Seazer conseguiu melhor do que ninguém, transpor o universo muito particular de Shuji Terayama para música. De facto, depois da morte do último em 1983, Seazer tornou-se o novo representante da companhia teatral.
Na foto acima, Seazer - conhecido também por ter o mais comprido cabelo de todo o Japão - situa-se no meio dos membros dissidentes do grupo Tenjo Sajiki. Mais recentemente, compôs a genial banda-sonora do anime Revolutionary Girl Utena

Kyoujo Bushi: Retirado do seu álbum a solo Kokkyou Junreika. Sons que se unem numa explosão sensível, entre risos de loucura e gritos soberanos.

Den’en ni Shisu: Retirado da banda-sonora do filme de Shuji Terayama, Pastoral: To Die in the Country, esta faixa é das mais poderosas e das mais melancólicas. Um coro de crianças choram a inocência perdida.

Chronicles of Breaking-up with Mom: Esta foi, talvez, o hino da juventude “sem mãe” dos anos 70. Primeiramente tocada na peça musical “Throw away your Books, Rally in the Streets” e depois no filme com o mesmo nome, Chronicles of Breaking-up with Mom é uma música irónica com uma letra violenta e repressiva acerca da mãe. Uma maldição contra toda a maternidade.

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Pois é criançada! O mundo não começou ontem! Tenho um pouco de cultura geral sobre música. O vídeo é longo e chato (aquela voz, OMG…) mas é educativo. Pelo menos dá-vos a conhecer os “The Winstons” e a ouvir uns samples da minha juventude (e outros mais velhos).

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Foi no dia 9 de Novembro de 1989 que o melhor actor japonês da década de 80 falecia, apagando-se assim um rasto luminoso de genialidade e estilo.Completando-se no próximo mês o vigésimo aniversário da sua morte (e no mês passado completou-se o seu hipotético 60º aniversário) , Matsuda deixa um legado que, excluindo o cinema, vai desde a música até aos tributos excessivos (há um cometa com o seu nome, e claro, o actor resta como a divina inspiração da personagem anime tão amada Spike Spiegel de Cowboy Bebop).

Era uma vez um cometa chamado Yusaku Matsuda…

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Takagi Masakatsu é um artista e realizador refrescante, e esta sua curta audio-visual (pois tudo desde a música à mise-en-scène é obra sua) World is so Beautiful é uma sumptuosa compilação de viagens à volta do mundo com um único propósito: representar poeticamente a beleza milagrosa do real. Site oficial aqui.

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Retirada do raríssimo albúm out of print, Works(1969), esta composição que data de 1954 é uma avassaladora e terrifica experiência sonora. Uma montagem de sons a princípio desconexos (água, gritos de pavor, sons de comboios, uivos de ventania, relinchares pasmados) homogeneizando-se em êxtase. Rememora em imagens, um sacríficio; de todos os modos, místico, inapreensível.
Mais uma vez, Takemitsu prova-nos que a música pode transportar os seus ouvintes para sítios ou estados desenfreados. Fora as imagens que nos assaltam, é como pura confusão sonora que o próprio carácter do mundo (e da morte?) nos dá a escutar.

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Toru Takemitsu (1930 - 1996)  foi - hipérboles à parte - um dos (senão o) maiores compositores da segunda metade do século XX. O seu corpus artístico lança-se numa variedade inédita e virtuosa de géneros e influências musicais. Das fusões Jazz e Pop, passando pelo estudo e desconstrução da música mais tradicional e clássica japonesa (o uso exímio do biwa ou do shamisen) mas sobretudo o questionamento excessivo e levado às derradeiras consequências pela essencialidade da própria música, fazem de Takemitsu uma figura espelhada em vários tons e melodias, mas uma figura na qual se concentra uma ética extraordinária e inviolável. Como se a música fosse e permanecesse magia insondável.

Na senda de John Cage, também Takemitsu é um compositor do silêncio e, por conseguinte, em grande parte das suas composições o que se evidencia é esse esforço pela captação (instrumental) do silêncio, esforço esse oriundo da convicção de que silêncio não é a ausência de som, mas pelo contrário, outra forma de som.

Com cerca de 130 concertos e composições, Takemitsu é também conhecido pela sua faceta compositor para cinema, sendo, não só um dos mais profícuos (musicou mais de 100 filmes), como um dos mais completos. Por causa do seu estilo claramente avant-garde, Takemitsu associou-se a princípio com a revolucionária geração Nouvelle Vague (desde os filmes de Teshigahara, Hani, Oshima , Shinoda ou Kobayashi) dos anos 60, mas mais tarde musicou Ran de Akira Kurosawa, composição memorável que qualquer amante de cinema reconhece como perfeita.

Fica a nossa homenagem, próxima do aniversário do seu nascimento (8 de Outubro). Pedimos desculpa, por isso, pelas 6 músicas em vez das 3 habituais.

Para Takemitsu com amor:

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Requiem for String Orchestra: Composta em 1957, esta é a primeira grande obra de Takemitsu.

Lento Misterioso: Relembra aos mais atentos, Debussy. Uma clarividência musical imersa num ponto único.

November Steps ( em duas partes, parte 2 aqui): Uma demonstração da sua vertente mais interrogativa da música tradicional japonesa. Uma composição digna de um mestre. De realçar também a mestria como o Biwa é conduzido e complementado com o resto da orquestra.

Black Rain: O tema assustador, de uma beleza cruel, do filme de Shohei Imamura.

The Man Who Left his Will on Film: A música genial do meta-filme de Nagisa Oshima. Mais uma vez, a prova da plasticidade musical de Takemitsu.

All that the man left behind when he died: Poema inclassificável de Shuntaro Tanikawa musicado aqui por um Takemitsu melancólico. Lembra o que o nosso António Pinho Vargas fez à poesia de António Ramos Rosa.

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Tomoyo Harada - Toki Wo Kakeru Shoujo (versão ao vivo aquiaqui)

Créditos finais do filme The Little Girl who Conquered Time (1983) - Nobuhiko Obayashi

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