E porque no passado Dezembro a Image Forum Video lançou a caixa completa dos filmes de Takashi Ito, vale sempre a pena conhecer aquele que é um dos maiores desafiadores da imagem.
Depois da trilogia auto-destrutiva, Kitano lança-se num novo filme yakuza. Desta feita, parece-me ser muito mais tradicional (e anti-kitanesco). Com tantas personagens a aparecerem num trailer tão pequeno, fez-me lembrar o casting interminável dos Yakuza Papers. Estreia dia 12 de Junho!
À esquerda o realizador Yasujiro Ozu (1903-1963), abraçado ao seu amigo e colega Sadao Yamanaka (1909-1938), em plena guerra da Manchúria. Yamanaka morreria uns meses depois, vítima de desinteria.
J.A Seazer (Julious Arnest Cesar) é o pseudónimo de um exímio compositor de seu nome Takahaki Terahara (1948-…). Os seus sons ecléticos e extasiantes serviram de ilustração musical de Tenjo Sajiki, companhia teatral radical, imaginária e furiosa do dramaturgo e cineasta Shuji Terayama. As suas composições são um misto bizarro entre sonoridades mais tradicionais (quase primitivas) e vanguardas de rock (o chamado Acid Rock). Muito apreciado pela juventude revolucionária japonesa dos anos 60 e 70, J.A Seazer musica o delírio, um êxtase angustiado pela nostalgia, escatologias artísticas. No fundo, J.A Seazer conseguiu melhor do que ninguém, transpor o universo muito particular de Shuji Terayama para música. De facto, depois da morte do último em 1983, Seazer tornou-se o novo representante da companhia teatral.
Na foto acima, Seazer - conhecido também por ter o mais comprido cabelo de todo o Japão - situa-se no meio dos membros dissidentes do grupo Tenjo Sajiki. Mais recentemente, compôs a genial banda-sonora do anime Revolutionary Girl Utena
Kyoujo Bushi: Retirado do seu álbum a solo Kokkyou Junreika. Sons que se unem numa explosão sensível, entre risos de loucura e gritos soberanos.
Den’en ni Shisu: Retirado da banda-sonora do filme de Shuji Terayama, Pastoral: To Die in the Country, esta faixa é das mais poderosas e das mais melancólicas. Um coro de crianças choram a inocência perdida.
Chronicles of Breaking-up with Mom: Esta foi, talvez, o hino da juventude “sem mãe” dos anos 70. Primeiramente tocada na peça musical “Throw away your Books, Rally in the Streets” e depois no filme com o mesmo nome, Chronicles of Breaking-up with Mom é uma música irónica com uma letra violenta e repressiva acerca da mãe. Uma maldição contra toda a maternidade.
Se todos nós sabemos que a política é coisa de gente estranha, só alguns de nós sabem o quão estranha é no Japão. Muito antes do famoso Toyama Koichi surpreender o Ocidente com as suas declarações anti-democráticas e ferozmente anarquistas num “tempo-de-antena” supostamente dedicado à eleição do governador de Tokio, já em 1991 a famosa estrela de “lock-and-loll” Yuya Uchida fazia das suas, transfigurando aquilo que seria um “tempo-de-antena” para a eleição do governador de Tokio numa comunicação a bem da música e do Povo. Apesar de não ter sido eleito, a candidatura “lock and loll” de Yuya ainda conseguiu reunir cerca 54, 654 votos. Sem dúvida, um dos mais libertários momentos da História da Democracia!
O escritor Yukio Mishima (1925-1970) frente ao mítico cinema e casa de espectáculos Shinjuku Bunka, na estreia do seu único filme Yukoku (Patriotismo).
O sui-generis romancista e poeta Kafu Nagai (1879 - 1959) no meio de “artistas” de circo vestidas a preceito.
«Quando eu morrer, e se desejarem fazer a minha campa, escolham apenas um lugar entre as sepulturas das prostitutas no cemitério do Templo Jokanji. A campa não deve ter mais de 150 cm de altura e apenas gravem nela: “Aqui jaz Kafu Nagai”. Isso deve ser o suficiente». -Kafu Nagai